Na era das celebridades momentâneas torna-se
comum você se deparar com um ex-famoso na rua e nem se
dar conta. Muitos devem se lembrar de um garoto franzino, de
sorriso largo e vindo de uma região humilde da grande
Belo Horizonte chamada Nova Contagem. Esse garoto ganhou fama
nacional em 2002 quando venceu o Reality Show da rede Globo,
o programa musical Fama. Na época ele tinha apenas 18
anos.
A história desse garoto é no mínimo
curiosa. Antes de participar do programa Fama, ele nunca havia
realizado algum trabalho no meio musical. Na época Marcus
vendia picolés no bairro Eldorado, em Contagem-MG. Entre
as vendas de picolés ele aproveitava o tempo para dar
uma “canja” nos bares. Em uma dessas cantorias,
Marcus conheceu uma garota que iria participar da pré-seleção
para o programa em Belo Horizonte. Ela achou o menino talentoso
e o apresentou a sua produtora, porém, a produtora não
queria fazer a inscrição de Marcus. “Ela
via em mim a imagem de um menino de rua que vendia picolés
e que nem telefone para contatos tinha” ele afirma.
Após muita insistência por parte
dessa cantora, a produtora fez a inscrição de
Marcus Vinicius. Contente com a oportunidade ele se preparou
como podia e um dia antes do teste teve que dormir na rua. “Passei
a noite em claro na rua. Se eu voltasse em casa não teria
dinheiro para pagar a condução no outro dia”,
ele relembra.
Marcus conta que no dia do teste ele cantou
uma composição própria, a música
“Negras perucas”, e que a maioria dos participantes
estava cantando músicas já consagradas. Ele diz
que não chegou a cantar nem a música toda e o
organizador da seleção já chamou o próximo
candidato. Ele recorda que na hora de preencher a ficha ele
colocou 18 anos “intuitivamente”, mas ele tinha
apenas 17 anos, mas nem sabia que precisaria ser maior idade
para participar do programa.
Quatro dias depois Marcus recebe um telefonema
da produtora que o inscreveu dizendo que ele havia passado na
seleção de Belo Horizonte e que teria de ir para
a seleção final no Rio de Janeiro e que a Rede
Globo seria responsável por todas as despesas. Nesse
momento ele revelou para ela que era menor de idade e foi quando
ela disse: - “Mas como? Menor não pode participar!”.
Diante do problema, a produtora ligou para Rede
Globo onde reafirmaram que apesar de ter gostado muito do menino,
menor não poderia participar do Programa. Dias depois
a TV retorna a produtora e diz que aceitaria a participação
de Marcus, mas ela teria que falar com os pais deles para assinar
o contrato.
Ao procurar Marcus Vinícius ela fica
sabendo que Marcus Vinícius é praticamente órfão.
“Minha Mãe eu nem conheci, meu pai eu perdi quando
tinha 14 anos”, afirma. A emissora então sugeriu
que ela entrasse na justiça pela tutela do menor, assim
ele poderia participar, tendo ela como responsável legal
por ele. Enquanto o processo tramitava na justiça a primeira
edição entra no ar e Marcus fica de fora. Os responsáveis
pelo programa ligaram para ela (produtora) dizendo que não
tinham como esperar, e que eles nem sabiam se teria uma próxima
edição do programa por que o primeiro seria uma
espécie de “piloto”.
Com todos os problemas, Marcus voltou a vender picolé
pelas ruas sem esperança de uma próxima oportunidade.
“Ganhei apelido de garoto fama, por que quando o programa
estava passando na TV eu dizia: Olha o programa que eu ia participar!
E as pessoas riam de mim, faziam chacota mesmo, não acreditavam”
diz Marcus.
Quando já acontecia a seleção
para a segunda edição do programa, o “Fama
Bis”, a TV globo entrou em contato com Marcus novamente
e ele já maior de idade, participou da seleção
no Rio de Janeiro, passou, e finalmente entrou para o programa.
A vitória
O garoto de 18 anos ficou na
casa durante sete semanas. Para ele esse tempo foi pouco para
aprendizado. Segundo ele, não deu para aprender muita
coisa lá dentro e a produção preocupava-se
mais com a estética, com a dicção e presença
de palco para o programa não ficar feio.
Marcus sabia que ele não
era o melhor cantor da casa. “No limite da minha modéstia
eu sabia que ali havia dois ou três melhores do que eu.
Caso eu ganhasse, ganharia pela minha imagem, por parecer mais
com a maioria dos brasileiros”, afirma. E foi o que realmente
aconteceu. Marcus foi reprovado pelos jurados três vezes
e salvo na votação pelo público e sagrou-se
campeão.
O prêmio foi o contrato
com a gravadora Som Livre para o lançamento de um CD.
Ele foi convidado também para gravar uma música
utilizada na abertura da novela das seis na época “Sabor
da Paixão”.
A auge precoce
O cd de Marcus Vinícius
saiu após dois anos e meio do término do programa
Fama Bis, em 2005, intitulado “O verbo”. Questionado
se a demora para o lançamento do CD não o prejudicou
na divulgação, ele afirmou que esse foi o tempo
que ele utilizou para compor um trabalho bacana e honesto.
Marcus afirma que outros vencedores
do programas lançaram o CD mais rápido e também
não tiveram um retorno legal. Para ele faltou empenho
da gravadora na divulgação de seu trabalho. “A
gravadora não se interessou tanto por mim. Poderia ter
feito uma divulgação maior nas rádios.
Música tem que tocar no rádio para vender. A gravadora
é que tem o poder para divulgar”, ele acrescenta.
Mesmo estando foras das paradas,
o cantor afirma que o importante é continuar trabalhando.
“Eu não me importo com a fama... o importante é
continuar trabalhando” ele diz.
Hoje Marcus Vinicius caminha
tranqüilamente pelas ruas do Barreiro, em Belo Horizonte,
onde mora atualmente e nem é reconhecido. Morando sozinho
em um apartamento alugado, toca em bares e se apresenta em shows
no interior do estado além de ser compositor.
Ele ressalta que recentemente
a cantora paulista de MPB, Paula Lima, gravou uma música
dele e outra música de sua autoria é destaque
no rádio e é interpretada pelo grupo Jeito Muleke,
também de SP.
Marcus diz que está acertando
um projeto novo para o próximo ano. Ele pretende gravar
um cd independente com uma banda de samba.